A síndrome do sono insuficiente e sua repercussão na memória


Significa privação crônica de sono ou restrição de sono. Trata-se de uma falha persistente em obter uma quantidade de sono necessária para manter nível de alerta e vigília. Isso ocorre como resultado de diversos fatores sociais, ocupacionais e educacionais.

É um problema comum na sociedade moderna. Mais de ⅓ dos adultos referiram dormir menos que 7 horas por noite. E esta prevalência aumentou ao longo dos anos. Cerca de 60% dos brasileiros dormem menos de 7 horas por noite.

Pode ser diagnosticado quando há um tempo de sono menor do que o esperado para idade (por pelo menos 3 meses). O paciente reduz o tempo de sono através de medidas como o uso de despertadores, e na ausência destas medidas ele aumenta o seu tempo de sono. Ele também deve manter a capacidade intacta para iniciar ou manter o sono (não tem insônia). E não deve haver outros distúrbios do sono contribuindo para esta redução do tempo de sono.

Esta síndrome leva a diversas consequências, como sonolência, déficit de atenção e concentração, irritabilidade, motivação reduzida e dificuldade de aprendizado e memória. Nota-se que estas queixas são muito frequentes na atualidade.

O sono tem um papel importante nos processos de aprendizagem e de consolidação da memória.

Alguns estudos revelaram que a perda de sono leva a alterações na cognição e características patológicas da demência de Alzheimer (como o aumento dos níveis de proteínas beta-amilóide nos neurônios) em indivíduos saudáveis. Isso porque o sono é fundamental para a limpeza do acúmulo de beta-amilóide. A excitabilidade neuronal presente no tempo excessivo de vigília compromete a plasticidade sináptica (comunicação entre os neurônios), contribuindo para a neurodegeneração.

O sistema glinfático é um sistema de limpeza análogo ao sistema linfático periférico. Foi descrito em 2012 como um sistema de trânsito perivascular dedicado ao transporte de liquor e drenagem de resíduos do metabolismo cerebral.

Um dos fatores que regula o sistema glinfático é justamente o sono. O sono está associado com um aumento do influxo de liquor e melhora da depuração de resíduos cerebrais.

A restrição crônica do sono leva a um perfil cerebral pró-inflamatório e aumenta a suscetibilidade ao comprometimento da memória induzido por acúmulo de beta-amiloide.


Fonte:

Xie et al, 2013 Sleep drives metabolite clearance from the adult brain. Science 342, 373-377.

Benedict et al, 2015 Self-reported sleep disturbance is associated with Alzheimer's disease risk in men. Alzheimer’s Dement 11, 1090-1097

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