Apnéia obstrutiva do sono. O que é? Quais as causas e principais sintomas ? Qual o tratamento ?





É caracterizada por episódios recorrentes de obstrução parcial (hipopnéia) ou total (apnéia) da via aérea superior (cavidade nasal e faringe) durante o sono. É identificada pela redução ou ausência do fluxo aéreo, apesar da manutenção dos esforços respiratórios. Pode levar a uma redução da oxigenação do corpo e a despertares frequentes.

A síndrome da Apnéia e Hipopnéia obstrutiva do sono (SAHOS) refere- se ao conjunto de sinais e sintomas que caracterizam esta doença. Os sintomas mais comuns da SAHOS são: a presença de episódios de sono não intencionais durante a vigília, sonolência diurna excessiva (levando a riscos de acidente no trabalho ou no trânsito), sono não reparador, fadiga ou insônia, acordar com pausas respiratórias, engasgos ou sensação de asfixia, dificuldade de concentração, déficit de memória, irritabilidade, além do ronco alto e/ou pausas respiratórias relatados pelo companheiro. E para confirmar o diagnóstico um exame do sono (polissonografia) deve ser realizado. Este deve apresentar pelo menos 5 eventos respiratórios obstrutivos por hora de sono. E a SAHOS pode ser graduada de acordo com a quantidade de eventos respiratórios por hora em: leve, moderado ou severo.

A prevalência da SAHOS é alta, podendo variar de 17 a 49,7%, dependendo dos critérios adotados para o diagnóstico, faixa etária e gênero.

Os principais fatores de risco associados à SAHOS são a idade (acima dos 50 anos), o gênero (masculino), o Índice de massa corpórea (IMC) aumentado, a medida da circunferência do pescoço (maior que 40 cm) e as alterações craniofaciais (principalmente redução da maxila e/ou mandíbula). Alterações da anatomia da via aérea superior também podem causar a SAHOS: alterações nasais (desvio de septo, rinite), aumento das amígdalas e/ou da língua. A resposta neuromuscular diminuída dos músculos dilatadores da faringe durante o sono também pode contribuir para o colapso da via aérea superior. O deslocamento de líquidos que ocorre nas pessoas quando estão deitadas pode aumentar a vasodilatação na região do pescoço, que pode causar aumento da resistência da via aérea superior.

A SAHOS também pode favorecer a ocorrência de refluxo gastroesofágico devido ao aumento da pressão negativa no tórax observada nos episódios de apnéia. A inflamação crônica da via aérea superior pelo tabagismo pode gerar danos estruturais e neurais, predispondo ou agravando a SAHOS. O álcool e certos medicamentos (Ex: barbitúricos, benzodiazepínicos), quando usados antes de dormir, podem ocasionar um relaxamento dos músculos da faringe, o que intensifica os episódios de obstrução da via aérea superior.

A SAHOS aumenta o risco de desenvolver Hipertensão arterial sistêmica, e pode contribuir para instalação e piora de arritmias, acidente vascular cerebral e doença cardíaca coronariana (Lévy et al., 2011). Embora existam indícios de que a SAHOS possa ser fator de risco para diabetes, ainda existe controvérsia entre os trabalhos. Outras consequências associadas a SAHOS são relacionadas à alterações neurocognitivas e incluem atenção, memória e função executiva. A associação de SAHOS com estas comorbidades é maior nos pacientes com SAHOS moderada ou severa e em indivíduos mais jovens em relação aos indivíduos com idade superior aos 65 anos.

O tratamento envolve medidas gerais, como higiene do sono (ver artigo) e comportamentais (como perda de peso, retirada de álcool e de medicações sedativas), evitar dormir de “barriga para cima” (com a colocação de bola de tênis no bolso do pijama ou com dispositivos eletrônicos), tratar problemas otorrinolaringológicos (como rinite alérgica) e incentivar a prática de exercícios físicos. Os aparelhos de pressão positiva (CPAP ou BIPAP) são geradores de fluxo de ar que criam uma pressão positiva na vias aéreas superiores (VAS) quando esse fluxo é direcionado a uma máscara aderida ao nariz ou nariz e boca do paciente. A pressão na VAS expande a mesma permitindo uma passagem livre do ar. Outro mecanismo de ação atribuído ao CPAP/BIPAP é o aumento dos volumes pulmonares que leva a tração caudal da VAS e consequente aumento de sua área transversa. São ideais para SAHOS grau moderado a severo. Os aparelhos intraorais (AIOs) são colocados “dentro da boca” na hora de dormir. Tracionam a mandíbula para a frente, impedindo assim a obstrução da via aérea superior durante o sono. São recomendados para indivíduos com roncos apenas ou com SAHOS grau leve a moderado. Ou para pessoas com SAHOS moderado a severo intolerantes ou que não tiveram resposta com o CPAP. São contraindicados para pacientes com ausência de dentes ou com disfunção das articulações têmporo-mandibulares (ATM). Os efeitos colaterais são geralmente transitórios: salivação excessiva, sensação de boca seca, dor ou desconforto nos dentes de apoio e/ou gengiva, dor ou desconforto nos músculos da mastigação e/ou nas ATM. No longo prazo podem trazer alterações dentárias ou esqueléticas progressivas, causadas geralmente por movimentação dentária. As cirurgias estão indicadas quando há alterações anatômicas da via aérea superior. Dependendo da localização das alterações, podem ser nasais, faríngeas, craniofaciais e traqueostomia. Mas a maioria destes procedimentos tem menor eficácia que os anteriores. Estudos com boa evidência científica são escassos pela natureza dos procedimentos. Dentre eles, o avanço maxilomandibular tem melhor resultado na redução das obstruções da VAS, podendo ser indicado, principalmente na presença de alteração craniofacial, como primeira opção de tratamento cirúrgico em pacientes com SAHOS severo que não tenham se adaptado ao CPAP ou que não tenham respondido satisfatoriamente a terapia com aparelhos intraorais. A fonoterapia, canto e uso de instrumento de sopro têm resultados favoráveis porém necessitam de mais estudos para serem indicados como opção terapêutica. A estimulação elétrica do músculo genioglosso foi recentemente aprovada e tem resultados promissores como alternativa ao CPAP. A reposição hormonal (estrogênio-progesterona) em mulheres no climatério, os hormônios tireoidianos no hipotireoidismo e a bromocriptina na acromegalia são indicados como coadjuvantes aos tratamentos convencionais da SAHOS.

Referências:

1. Pinto Junior, Luciano Ribeiro. Sono : do diagnóstico ao tratamento – 1. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2020.

2. Haddad, Fernanda; Bittencourt, Lia. Recomendações para o diagnóstico e tratamento da Síndrome da Apnéia obstrutiva do sono no adulto – São Paulo: estação Brasil, 2013.


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