Narcolepsia: o que é importante saber.


A narcolepsia é um distúrbio caracterizado por sonolência excessiva durante o dia e por frequentes ataques de sono, mesmo quando a pessoa dormiu bem à noite. Esses ataques costumam ocorrer repentinamente e a qualquer momento do dia - até mesmo em situações inusitadas, como em consultas médicas, dirigindo ou numa conversa entre amigos.

Ao contrário do que muitos acreditam, a narcolepsia não está relacionada à depressão, distúrbios convulsivos, desmaios, preguiça ou pela simples falta de sono durante a noite. Esta é uma condição crônica, para a qual não há cura, e que pode afetar seriamente a qualidade de vida de quem a tem. No entanto, é perfeitamente tratável e seu principal sintoma - o excesso de sono durante o dia - pode ser controlado por meio de medicamentos e algumas mudanças no estilo de vida.

A causa exata da narcolepsia é desconhecida pelos especialistas, embora muitos acreditem que os fatores genéticos possam estar diretamente envolvidos nas causas da doença.

Acredita-se que a narcolepsia seja causada pela perda de um grupo de células localizadas no hipotálamo. Estas células morrem precocemente e não produzem um neurotransmissor chamado hipocretina, responsável por nos manter acordados. Um desequilíbrio, portanto, na quantidade desta substância química pode levar ao aparecimento do sono REM em horas inadequadas. Os médicos não sabem afirmar o que leva o corpo a produzir baixas quantidades de hipocretina, mas acredita-se que uma reação autoimune possa estar envolvida.

No processo natural do sono, uma pessoa passa por todas as primeiras fases antes de entrar no chamado sono REM, que é quando ocorre a grande parte dos sonhos. Já uma pessoa com narcolepsia pula todas essas primeiras fases, atingindo o sono REM muito mais rapidamente. Isso pode acontecer tanto à noite quanto durante o dia.

Fatores genéticos e processos infecciosos parecem ser os principais fatores de risco para a narcolepsia. Estudiosos acreditam, também, que a doença esteja diretamente relacionada à idade. Em geral, esse distúrbio costuma acontecer com mais frequência entre 10 a 30 anos de idade.

Os principais sintomas da narcolepsia podem piorar ao longo do tempo. São eles:

1- Sonolência diurna excessiva:

Pessoas com narcolepsia adormecem sem aviso prévio, em qualquer lugar e hora - inclusive em situações inusitadas, como durante uma conversa ou consulta médica, e em situações que podem colocar a vida em risco, se estiver dirigindo, por exemplo. Em geral, esses ataques frequentes e repentinos de sono duram de alguns minutos a cerca de meia hora. Após despertar, a pessoa sente-se revigorada, mas pode cair no sono novamente logo depois.

Sonolência excessiva diurna durante o dia é o primeiro e principal sintoma da narcolepsia e, muitas vezes, o mais problemático também. Devido a ele, uma pessoa pode ter dificuldade de concentração e foco.

2- Perda súbita do tônus muscular:

Esta condição, chamada de cataplexia, pode causar uma série de mudanças físicas - de fala arrastada à completa fraqueza da maioria dos músculos do corpo. Este problema pode durar de alguns segundos a alguns minutos.

A cataplexia é incontrolável e é desencadeada por emoções intensas, geralmente positivas, como o riso ou excitação. No entanto, também pode ser causado por sentimentos como medo, surpresa ou raiva.

A ocorrência de cataplexia entre as pessoas com narcolepsia varia muito de caso para caso. Algumas apresentam apenas um ou dois episódios por ano, enquanto que outras podem ter vários episódios durante um único dia. Há casos em que pessoas com narcolepsia jamais apresentam cataplexia também.

3- Paralisia do sono:

Pessoas com narcolepsia muitas vezes são temporariamente incapazes de se mover ou falar enquanto adormecem ou despertam. Estes episódios são geralmente breves, com duração de, em média, um ou dois minutos, mas pode ser assustador.

Nem todos que apresentam episódios de paralisia do sono tem narcolepsia, no entanto. Muitas pessoas sem narcolepsia experimentam alguns episódios de paralisia do sono, especialmente na idade adulta jovem. Da mesma forma, nem todas as pessoas diagnosticadas com narcolepsia passarão, necessariamente, por episódios de paralisia do sono.

4- Alucinações:

Há dois tipos possíveis de alucinações, as chamadas alucinações hipnagógicas, que ocorrem quando a pessoa cai no sono, e as alucinações hipnopômpicas, que ocorrem durante o despertar. Essas alucinações ocorrem porque uma pessoa com narcolepsia ainda pode estar parcialmente acordada enquanto já começa a sonhar, de modo que pode confundir o sonho que já está vivendo com a realidade.

5- Outros sintomas:

Pessoas com narcolepsia podem apresentar outros distúrbios do sono, como apnéia obstrutiva do sono, síndrome das pernas inquietas e insônia.

Além disso, alguns ataques de sono em pessoas com narcolepsia são breves, durando apenas alguns segundos. Em alguns casos, uma pessoa pode sofrer um ataque de sono repentino, cair no sono durante uma atividade que estiver executando, como escrever, digitar no computador ou dirigir, e mesmo assim, dormindo, continuar a executá-la.

Os ataques de sono decorrentes da narcolepsia já são, por si só, motivos mais que suficientes para buscar ajuda médica. Se você apresentar sonolência excessiva durante o dia, com frequentes ataques de sono até mesmo durante situações inusitadas, como no meio de uma conversa, procure um especialista imediatamente.

Entre os especialistas que podem diagnosticar narcolepsia estão:

Neurologista e Médico do sono.

O médico pode fazer um diagnóstico preliminar da narcolepsia com base na descrição dos sintomas e na presença de pelo menos dois deles: sonolência excessiva durante o dia e cataplexia. Depois de um diagnóstico inicial, o médico pode encaminhá-lo para um especialista do sono para uma avaliação mais aprofundada.

Alguns exames mais usados pelos médicos para diagnosticar a narcolepsia são:

ECG (que mede a atividade elétrica do coração);

Eletroencefalograma (que mede as atividades do cérebro);

Monitoramento da respiração;

Testes genéticos para identificar o gene da narcolepsia;

Polissonografia (estudo do sono do paciente);

Teste Múltiplo de Latência do Sono (MSLT), em que o médico mede quanto tempo o paciente leva para adormecer durante uma soneca diurna. Pacientes com narcolepsia adormecem muito mais rápido do que pessoas que não têm a doença.

Não há cura para a narcolepsia, mas medicamentos e adaptações no estilo de vida podem ajudar a controlar os sintomas.

Entre as principais medicações prescritas pelos médicos para tratar narcolepsia estão alguns estimulantes, inibidores seletivos de recaptação de serotonina, antidepressivos e oxibato de sódio.

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e , se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidade muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Além do tratamento médico, feito basicamente com medicamentos, modificações no estilo de vida também são importantes para controlar os sintomas da narcolepsia. Confira algumas medidas que você pode adotar:

Procure dormir e acordar na mesma hora todos os dias, incluindo aos finais de semana;

Tire cochilos regularmente durante o dia. Sestas de 20 minutos podem ajudar a reduzir a sonolência por entre um a três horas;

Faça exercícios físicos regularmente. A atividade física pode ajudar a regular o sono durante a noite e o dia

Se não for devidamente tratada, a narcolepsia pode causar algumas complicações.

A narcolepsia pode causar sérios problemas para você, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Outras pessoas que não têm, necessariamente, uma visão correta e mais aprofundada da doença poderão vê-lo como preguiçoso, letárgico ou até mesmo rude. Além disso, você pode ter uma queda em seu desempenho na escola, faculdade ou trabalho.

A sonolência excessiva pode diminuir a libido e causar impotência , e as pessoas com narcolepsia podem cair no sono até mesmo durante a relação sexual. Esses problemas podem levar a sentimentos que, eventualmente, podem desencadear os ataques de sono da narcolepsia, como raiva, decepção e ansiedade.

Ataques de sono repentinos podem resultar em danos físicos a pessoas com narcolepsia. Você pode adormecer ao volante ou enquanto está cozinhando, de modo que se torna mais vulnerável, também, a cortes e queimaduras.

Pessoas com narcolepsia são duas vezes mais propensas a ter excesso de peso do que outras pessoas. O ganho de peso pode estar relacionado, principalmente, ao sedentarismo, à compulsão alimentar, à deficiência de hipocretina ou uma combinação entre esses e outros fatores.

A narcolepsia é uma condição crônica para toda vida, pois não há cura. Não é uma doença fatal, mas pode colocar a vida de quem a tem em risco, principalmente se os ataques de sono ocorrerem enquanto a pessoa estiver dirigindo, operando uma máquina ou algo do gênero. Geralmente, a narcolepsia pode ser controlada como tratamento à base de medicamentos e adaptações no estilo de vida. Além disso, o tratamento de outros distúrbios do sono subjacentes à narcolepsia também, pode melhorar os sintomas da doença

Não existem formas conhecidas de se prevenir a narcolepsia


Referências:

Ministério da Saúde; National Institute of Neurological Disorders and Stroke; Narcolepsy Network; National Sleep Foundation;

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