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Sarcopenia no idoso e o papel do sono

Atualizado: há 17 horas


Em 1989 o termo sarcopenia foi proposto para descrever a perda muscular progressiva relacionada ao envelhecimento. A sarcopenia é atualmente reconhecida como uma condição geriátrica que inclui a redução da massa muscular esquelética, força e função, levando ao risco de várias consequências adversas. Sua causa envolve fatores neuroendócrinos e inflamatórios, hábitos nutricionais desfavoráveis e pouca atividade física.

A redução na duração e qualidade do sono causadas por distúrbios do sono modificam a composição corporal e aumentam a resistência à insulina, que pode estar associada à sarcopenia. A influência da redução do sono de ondas lentas (sono profundo), a fragmentação do ciclo circadiano e a apnéia do sono nos eixos hipotálamo-hipófise-adrenal, hipotálamo-hipófise-gonadal, eixo somatotrópico e metabolismo da glicose poderiam explicar em parte a sarcopenia. Intervenções nos distúrbios do sono podem ter efeito na perda muscular.

O envelhecimento traz alterações na estrutura do sono, como a redução do tempo total de sono e da eficiência do sono, redução de sono profundo (ondas lentas) e um aumento do tempo desperto após o início do sono. Os distúrbios do sono, como a apnéia do sono, tornam-se mais frequentes com o envelhecimento, assim como a inversão do ciclo sono-vigília.

Foi observado que a privação do sono leva ao desbalanço entre a secreção de hormônios catabólicos e anabólicos. O sono ruim pode levar à quebra de proteínas do músculo.

O GH e a testosterona induzem a síntese de proteínas e o anabolismo muscular. A redução progressiva do sono de ondas lentas com o avançar da idade afeta a secreção do GH. A redução de testosterona com a idade também está associada à sarcopenia. Já o cortisol aumenta o catabolismo muscular. O nível de cortisol matutino aumenta após os 50 anos provavelmente devido à fragmentação do sono e à redução do sono REM. A hipóxia intermitente da apnéia do sono também leva ao estresse crônico e ao aumento da secreção de cortisol. A resistência à insulina está relacionada à perda de massa muscular com o envelhecimento. E a privação do sono está associada ao aumento da resistência à insulina.

Por conta destes fatores, deve ser priorizada a higiene do sono no idoso, inclusive evitando o abuso de medicamentos. Os idosos são o grupo populacional com maior índice de abuso de medicamentos. Deve-se também tratar os distúrbios do sono, como a apnéia do sono e a insônia, muito subdiagnosticados porém, mais prevalentes e mais graves nos idosos. O tratamento de doenças diretamente associadas à sarcopenia, como diabetes, a redução dos níveis de testosterona, etc. também deve ser priorizado.

Os exercícios físicos, além de ter um efeito na melhora da força muscular, também têm efeito na consolidação da qualidade do sono, atuando beneficamente na prevenção da sarcopenia.


Fonte:

Piovyan et al. 2015

Mordes et al.. 2014

Everson e Crowley., 2004

Belbo et al., 2010

Edewardes et al., 2014

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